domingo, 20 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
Despejar o saco – Livros à data
Aqui fica a lista de tudo quanto li nestes últimos seis meses. É, como se espera, uma espécie de balanço mais ou menos final, e, devido à sua ordenação qualificativa, poderá suscitar algumas discordâncias. Por essa razão, desde já aviso que com ela não pretendo atingir o rigor quase científico com que normalmente são apresentadas estas coisas.

Acrescento à mesma algumas curiosidades que, por falta de tempo ou dinheiro, não tive ainda a oportunidade de ler: Robert Musil, O homem sem qualidades (Dom Quixote): possuo a edição da Livros do Brasil, mas, segundo me foi dito, a presente tradução é muitíssimo melhor; John Updike, Regressa, Coelho (Civilização): lembro a Civilização que a edição da totalidade da tetralogia Coelho (acrescente-se-lhe ainda uma pequena novela, editada em 2001, em que Updike torna levemente à história de Harry Angstrom) seria muito bem vista por estes lados; Rubem Fonseca, Ela e outras mulheres (Campo da Literatura): fiquei com curiosidade após ter lido a recensão do Eduardo Pitta; Jorge Reis-Sá, Todos os dias (Dom Quixote): Primeiro romance deste jovem escritor português, já comparado a autores como Jorge Luís Borges e José Saramago.
…………………………………………………………………………………………………………………………………
Livros de 2008*:

01. Fiódor Dostoiévski, Demónios (Presença);
02. Lev Tolstoi, A morte de Ivan Ilitch (Booket / Dom Quixote);
03. Alphonse Daudet, Sapho (Booket / Dom Quixote);
04. José Donoso, Casa de campo (Cavalo de Ferro);
05. Philip Roth, Património (Dom Quixote).
Outras leituras (e releituras)*:

01. Fiódor Dostoiévski, Cadernos do subterrâneo (Assírio & Alvim, 2000);
02. Thomas Mann, A morte em Veneza (Relógio D’Água, 2004);
03. Ernest Hemingway, O adeus às armas (Livros do Brasil, 2003);
04. Ernest Hemingway, O velho e o mar (Livros do Brasil, 2006);
05. Ernest Hemingway, O Sol nasce sempre (Fiesta) (Livros do Brasil, 2007);
06. John Steinbeck, A um deus desconhecido (Livros do Brasil, 2007);
07. Ernest Hemingway, Por quem os sinos dobram (Livros do Brasil, 2007);
08. Nikolai Leskov, Lady Macbeth de Mtsensk (Hespéria, 2007);
09. John Cheever, Falconer (Sextante, 2007);

10. John Steinbeck, O milagre de São Francisco (Livros do Brasil, 2007);
11. Arthur Miller, A view from the bridge / All my sons (Penguin, 1961**);
12. Ernest Hemingway, As neves do Kilimanjaro (Livros do Brasil, 2005);
13. Saul Bellow, Aproveita o dia (Texto Editores, 2007);
14. Gabriel García Márquez, A revoada (Quetzal Editores, 2002);
15. Ernest Hemingway, Paris é uma festa (Livros do Brasil, 2005);
16. Ernest Hemingway, As verdes colinas de África (Livros do Brasil, 2001);
17. Orhan Pamuk, O meu nome é Vermelho (Presença, 2007);
18. Gonçalo M. Tavares, Jerusalém (Caminho, 2005);

19. Paul Auster, A trilogia de Nova Iorque (Asa, 1999);
20. Saul Bellow, A vítima (Texto Editores, 2006);
21. Daniel Defoe, Diário da Peste de Londres (Bonecos Rebeldes, 2007);
22. Philip Roth, Traições (Bertrand, 1991);
23. Gonçalo M. Tavares, O senhor Walser (Caminho, 2006).
À parte (***):

- David Mourão-Ferreira, Um amor feliz (Presença, 1986);
- Gonçalo M. Tavares, Água, cão, cavalo, cabeça (Caminho, 2006);
- Haruki Murakami, Em busca do carneiro selvagem (Casa das Letras, 2007);
- Phillip Margolin, Gone, but not forgotten (Doubleday, 1993**).
* Segundo a data de edição ou reedição em Portugal, excepto em **.
*** Ordem alfabética por autor.

Acrescento à mesma algumas curiosidades que, por falta de tempo ou dinheiro, não tive ainda a oportunidade de ler: Robert Musil, O homem sem qualidades (Dom Quixote): possuo a edição da Livros do Brasil, mas, segundo me foi dito, a presente tradução é muitíssimo melhor; John Updike, Regressa, Coelho (Civilização): lembro a Civilização que a edição da totalidade da tetralogia Coelho (acrescente-se-lhe ainda uma pequena novela, editada em 2001, em que Updike torna levemente à história de Harry Angstrom) seria muito bem vista por estes lados; Rubem Fonseca, Ela e outras mulheres (Campo da Literatura): fiquei com curiosidade após ter lido a recensão do Eduardo Pitta; Jorge Reis-Sá, Todos os dias (Dom Quixote): Primeiro romance deste jovem escritor português, já comparado a autores como Jorge Luís Borges e José Saramago.
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Livros de 2008*:

01. Fiódor Dostoiévski, Demónios (Presença);
02. Lev Tolstoi, A morte de Ivan Ilitch (Booket / Dom Quixote);
03. Alphonse Daudet, Sapho (Booket / Dom Quixote);
04. José Donoso, Casa de campo (Cavalo de Ferro);
05. Philip Roth, Património (Dom Quixote).
Outras leituras (e releituras)*:

01. Fiódor Dostoiévski, Cadernos do subterrâneo (Assírio & Alvim, 2000);
02. Thomas Mann, A morte em Veneza (Relógio D’Água, 2004);
03. Ernest Hemingway, O adeus às armas (Livros do Brasil, 2003);
04. Ernest Hemingway, O velho e o mar (Livros do Brasil, 2006);
05. Ernest Hemingway, O Sol nasce sempre (Fiesta) (Livros do Brasil, 2007);
06. John Steinbeck, A um deus desconhecido (Livros do Brasil, 2007);
07. Ernest Hemingway, Por quem os sinos dobram (Livros do Brasil, 2007);
08. Nikolai Leskov, Lady Macbeth de Mtsensk (Hespéria, 2007);
09. John Cheever, Falconer (Sextante, 2007);

10. John Steinbeck, O milagre de São Francisco (Livros do Brasil, 2007);
11. Arthur Miller, A view from the bridge / All my sons (Penguin, 1961**);
12. Ernest Hemingway, As neves do Kilimanjaro (Livros do Brasil, 2005);
13. Saul Bellow, Aproveita o dia (Texto Editores, 2007);
14. Gabriel García Márquez, A revoada (Quetzal Editores, 2002);
15. Ernest Hemingway, Paris é uma festa (Livros do Brasil, 2005);
16. Ernest Hemingway, As verdes colinas de África (Livros do Brasil, 2001);
17. Orhan Pamuk, O meu nome é Vermelho (Presença, 2007);
18. Gonçalo M. Tavares, Jerusalém (Caminho, 2005);

19. Paul Auster, A trilogia de Nova Iorque (Asa, 1999);
20. Saul Bellow, A vítima (Texto Editores, 2006);
21. Daniel Defoe, Diário da Peste de Londres (Bonecos Rebeldes, 2007);
22. Philip Roth, Traições (Bertrand, 1991);
23. Gonçalo M. Tavares, O senhor Walser (Caminho, 2006).
À parte (***):

- David Mourão-Ferreira, Um amor feliz (Presença, 1986);
- Gonçalo M. Tavares, Água, cão, cavalo, cabeça (Caminho, 2006);
- Haruki Murakami, Em busca do carneiro selvagem (Casa das Letras, 2007);
- Phillip Margolin, Gone, but not forgotten (Doubleday, 1993**).
* Segundo a data de edição ou reedição em Portugal, excepto em **.
*** Ordem alfabética por autor.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
A inabalável ordem das coisas

Nikolai Leskov não será o primeiro nome a surgir numa conversa sobre os grandes autores russos do século XIX. Ainda que as razões para uma tal falta de reconhecimento tenham desaparecido ou perdido a sua importância de outrora (Leskov foi alvo de censura devido às críticas que teceu ao Estado e à Igreja Ortodoxa; e, porque nunca renunciou à religião, foi menosprezado pela maior parte dos escritores russos da época e os seus escritos classificados de insurrectos pelo regime comunista), o certo é que a obra de Leskov esteve, até há poucas décadas, votada ao esquecimento. Valeram-lhe a ópera de Dimitri Shostakovich, Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk, estreada em 1934, proibida em 1936 e revista como Katerina Izmáilova, em 1963; e o filme Sibirska Ledi Magbet (Lady Macbeth da Sibéria; 1962) do polaco Andrej Wajda.
Estas adaptações, para além de resgatarem Leskov ao iodo do tempo, tinham como outra felicidade o facto de insistirem numa mesma obra – aquela que é tida como sendo a obra-prima do autor –, o que desde logo deixava antever as maravilhas nela contidas.
Lady Macbeth de Mtsensk é, pois, uma pequena mas poderosa novela que conta a história de Katerina Izmáilova, uma jovem humilde que depois de casar por conveniência com Zinovi Boríssytch, um rico e próspero mercador, se apaixona por Serguei Filipych, capataz do marido. Principia-se então uma mudança a dois níveis: Katerina deixa de ser uma jovem submissa para passar a ser “completamente liberta”, iniciando-se pouco depois, levada pelo amor que sente por Serguei, no assassinato de todos quantos se oponham à sua felicidade. Assiste-se ainda a uma constante mudança sobre quem detém o controlo da situação – daí resultando uma notável dinâmica narrativa. Se a principio é Zinovi Boríssytch quem dá as cartas (“Tinham-na dado em casamento ao nosso mercador Izmáilov, de Tuskar, Gubérnia de Kursk, não por amor ou qualquer atracção, mas simplesmente porque Izmáilov a pedira em casamento, e, sendo ela uma moça pobre, não podia escolher noivo”), com o início da relação entre Katerina e Serguei, passa esta a possuir o poder sobre o desenrolar da acção (“Se, antes, ela não era uma mulher medrosa, agora sequer se pode adivinhar o que ela vai decidir: anda altiva, dá ordens a todos em casa e não larga Serguei de junto dela”), poder esse que mais tarde perderá e, num último momento, tornará a recuperar.
Apesar de condenáveis, nem por uma vez Nikolai Leskov se aventura a fornecer ao leitor uma explicação para as acções levadas a cabo por Katerina e Serguei. Ao contrário de, por exemplo, Lev Tolstoi, escritor que a partir de determinada altura se bateu por um certo de ideal de moralidade associada ao dever (em A morte de Ivan Ilitch, A sonata de Kreutzer e Khadji Murat), Leskov deixa a acção seguir livremente sem fazer juízos de valor, preocupando-se apenas em contar a história de uma forma admiravelmente simples, e deixando que a condenação, principalmente a de Katerina, fique a cargo do próprio destino, inadiável e inevitável.
Referência bibliográfica:
Nikolai Leskov, Lady Macbeth de Mtsensk. Lisboa: Editorial Hespéria, 1.ª edição, Setembro de 2007, 92 pp. (tradução de João Ferro e Mikhail Nenáchev; obra original: Леди Макбет Мценского, translit. Ledi Makbet Mtsenskovo Uyezda, 1865).
sexta-feira, 4 de abril de 2008
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