quinta-feira, 27 de Junho de 2013

Há meses, estando eu a almoçar com uma amiga, ela comunicou-me ter doado o seu cadáver a uma faculdade. De início, considerei o gesto insólito, mas acabei por decidir fazer o mesmo, tendo-lhe pedido o telefone da instituição. Antes, falei com os meus filhos, prevenindo-os, com um ar radiante, que não teriam pagar o meu enterro, pois o doador fica liberto da despesa. Encolheram os ombros, declarando que fizesse o que me apetecesse. Foi assim que, em Dezembro de 2009, telefonei para a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, a fim de proceder à doação cadavérica. Para meu espanto, a telefonista informou-me que só da parte da tarde se aceitavam declarações relativas à doação de cadáveres […].

Maria Filomena Mónica, A morte